SINDIÁGUA-PB

Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação da Água e em Serviços de Esgotos do Estado da Paraíba

Deusdete presidirá a Cagepa; rombo chega a R$ 205 milhões

29 de dezembro de 2010

 

O governador diplomado Ricardo Coutinho (PSB) concluiu ontem a nomeação de mais 25 auxiliares e da admintração direta e os diretores dos principais órgãos e autarquias que formam a administração indireta. Após anunciar o nome do engenheiro civil Deusdete Queiroga para a Presidência da Cagepa, Ricardo destacou o empenho que o novo governo fará para que a companhia readquira o respeito e deixe de ser deficitária, até por comercializar um produto básico e sem concorrência, que é o fornecimento de água no Estado.

Ricardo defendeu o realinhamento tarifário da água e a cobrança das dívidas de água de residências, empresas e prefeituras que chegam a mais de R$ 205 milhões. Ele também anunciará que irá rever contratos que atentem aos interesses públicos, como o processo de privatização para o saneamento na região de Patos. “Não se admite que uma empresa que tem seus custos passe mais de dois anos sem fazer revisão tarifária para supostamente não tirar voto de alguém. Desse jeito qualquer empresa quebra”, alertou.

RAZÕES

Segundo Ricardo Coutinho, não será admitido, por exemplo, que grandes empresas não paguem a conta da água e que a companhia tenha 300 mil hídrômetros com problemas de medição. “Empresa pública não é para ser desmoralizada por ser pública, mas para ser respeitada por ser pública”, completou. Ricardo destacou que não conhece no país uma empresa que tenha 57% da sua receita gasta com pessoal e se mantenha num nível mínino de competitividade. A companhia vem sendo usada como “cabide de empregos” e de todos os interesses de quem queria uma casquinha. Mas isso acaba no dia 1º de janeiro por uma questão de respeito”, avisou o governador diplomado durante entrevista à imprensa.

Perda de faturamento é da ordem de 40%

O futuro presidente da Cagepa Deusdete Queiroga, atual superintendente da Emlur, destacou que a perda de faturamento da companhia é de 40%, o que é inviável para uma empresa de saneamento, sendo necessário investir na medição e da cobrança efetiva dos devedores. “O engenheiro acrescentou que nos últimos dias a Cagepa suspendeu o serviço de corte por falta de pagamento, o que eleva ainda mais os níveis de inadimplência. Deusdete avisou que as dívidas de água do setor privado e público serão cobradas para que a companhia recupere a capacidade de investimento e possa ampliar e melhorar o sistema de abastecimento de água nos municípios.

“É fundamental que as pessoas entendam que é preciso fazer a empresa se desenvolver. Os pequenos municípios têm sua água subsidiada pela Cagepa e por quem paga suas tarifas nas cidades maiores”, completou. Segundo dados da comissão de Transição a Cagepa possui dívidas de R$ 179 milhões com bancos, frutos de empréstimos junto a bancos sem aprovação da Assembleia Legislativa. Segundo a indicada para a secretária de Finanças, Aracilba Rocha, a companhia não teria autonomia para fazer empréstimos sem a autorização do poder legislativo para bancos públicos e para bancos de carreira, a exempo do Lemon Bank que não possui a credibilidade e segurança para esse fim.

Por: Clóvis Gaião, Jornal da Paraíba (29.12.2010)

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