SINDIÁGUA-PB

Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação da Água e em Serviços de Esgotos do Estado da Paraíba

Ministro Mantega faz economia de R$ 10 bi enquanto BC gasta R$ 220 bi com juros

6 de setembro de 2011

Fonte: Agência de Notícias CUT

O ministro Guido Mantega anunciou um novo aumento do superávit primário – que é a reserva de caixa dos banqueiros. Os “analistas de mercado”, nome fictício dos agiotas do sistema financeiro, aplaudiram e querem mais. A mídia rentista também elogiou o aperto fiscal. Já a oposição demotucana fez dengo e criticou o “jogo de cena”, exigindo cortes mais drásticos nos gastos.

Na prática, o governo cedeu novamente à ditadura do capital financeiro. A desculpa usada foi a de que a crise mundial ameaça o País. “Estamos respondendo à situação internacional. Temos repetido há semanas que há uma deterioração do quadro… Estamos nos precavendo para impedir que o Brasil tenha o mesmo destino dos países avançados”, justificou o ministro da Fazenda.

Banqueiros

A decisão de elevar a meta do superávit em cerca de R$ 10 bilhões representa mais um duro golpe na economia. Significa que o governo “poupará” este montante, que poderia ser aplicado em melhorias nas áreas sociais e em investimentos estratégicos na infra-estrutura, para pagar mais juros aos banqueiros e rentistas que especulam com os títulos da dívida pública.

Ao entesourar essa grana, o superávit afeta a produção, o consumo, o emprego e, de quebra, a própria arrecadação do Estado. Ou seja: a tal “poupança” não serve para enfrentar a crise mundial. Ao contrário: agrava seus efeitos. O que se economiza numa ponta, perde na outra com a diminuição da arrecadação. E o pior é que o governo Dilma insiste nesse caminho de viés neoliberal.

Submissão

No início do seu mandato, Dilma fixou a meta de superávit em R$ 81,8 bilhões. Agora, ela eleva para R$ 91 bilhões. Como afirma o economista Amir Khair, secretário de Finanças na gestão de Luiza Erundina (1989-1993), a decisão representa “a submissão total do governo ao mercado financeiro… Enquanto o ministro faz uma economia de R$ 10 bilhões, o Banco Central gasta R$ 220 bilhões em juros”.

Para ele, a política monetária de juros altos e a política de arrocho fiscal, com elevados superávits primários, são “suicidas” e vão causar retração na economia. Essa orientação é bem diferente da adotada por Lula diante da crise capitalista do final de 2008. Na ocasião, o governo reduziu o superávit primário, o que ajudou a aquecer o mercado interno e a evitar o tsunami no Brasil.

Dilma

Com a decisão de elevar o superávit, submetendo-se às ordens do “deus-mercado”, o governo Dilma pode agravar ainda mais os efeitos do repique da crise capitalista mundial. As consequências podem ser trágicas. A oposição demotucana e a sua mídia, que já estão na ofensiva contra a corrupção, sairiam fortalecidas com a piora dos indicadores econômicos. A popularidade de Dilma que se cuide!

 

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