SINDIÁGUA-PB

Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação da Água e em Serviços de Esgotos do Estado da Paraíba

SINDIÁGUA-PB reúne com parlamentares e alerta para a entrega das águas à iniciativa privada

7 de julho de 2021

Dia 21 de julho acontece um Seminário Estadual das Águas, online, para que o alerta chegue a todos os setores paraibanos

“A luta pela água não é corporativista, ela é de todos nós, é isso que temos que avançar para mostrar à população”, disse Fabiano Araújo Alves, diretor do Sinterágua, durante a reunião realizada no Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação da Água e em Serviços de Esgotos do Estado da Paraíba (SINDIÁGUA-PB) nesta segunda (05).

O encontro foi para formular uma estratégia conjunta para enfrentar a ofensiva de entrega das águas brasileiras à inciativa privada. Para isso, o Sindiágua-PB recebeu a deputada estadual, Estela Bezerra (PSB) e o vereador Marcos Henriques (PT) para apresentar o relatório elaborado pelo engenheiro João Vicente, conselheiro do Sindiágua, sobre o chamado “Triângulo das Águas”, que corresponde à água bruta, à água para transmissão de energia e à água tratada.

“O poder econômico há muito tempo enxerga na água – um recurso natural insubstituível – uma fonte de geração de lucro, conferiu a ela um valor econômico e passou a assediá-la em todas as frentes possíveis, com investidas diversas e recorrentes para assumir seu controle”, explicou João.

Por essa razão, o Sindiágua está articulando uma reação para que a população entenda o perigo de ficar sem ter acesso à água no Brasil.

“Aqui na Paraíba sabemos que acabou de ser aprovada pela Assembleia a regionalização de áreas de saneamento no estado, abrindo caminho para o sucateamento da Cagepa e atuação da iniciativa privada”, explicou o presidente do Sindiágua, José Reno de Sousa. Geraldo Quirino, o vice-presidente do Sindiágua, lembrou que, no caso da regionalização do saneamento, o que está em vias de privatização não é a Cagepa em si, mas “a venda do serviço de saneamento, ou seja, é o serviço de saneamento que agora passa para as mãos da iniciativa privada”, evidenciou.

A deputada Estela Bezerra lembrou que o projeto de regionalização chegou na Assembleia Legislativa na quarta à tarde e foi votado na quinta. “Isso é inadmissível, atípico em casos de projetos de lei complementar, como era o caso”, disse a deputada. No entanto, durante a reunião o que foi colocado é que a situação é muito mais grave do que apenas o avanço das empresas na área de saneamento.

“A água tratada que recebemos em nossas casas é filha da água bruta, ou seja, dos aquíferos presentes no subsolo brasileiro, no caso, os aquíferos guarani e alter chão e além do repasse da concessão do serviço de saneamento para a iniciativa privada, essas águas do subsolo também estão em disputa. Existe um Projeto de Lei em curso no Congresso que avança nesse sentido, isso significa a morte das brasileiras e brasileiros”, alertou João Vivente.

A aprovação do PLS nº 495/2017 poderá significar a posse definitiva do ente privado sobre toda água bruta do país, inclusive a que se encontra armazenada nos dois grandes aquíferos: Alter do Chão, no Pará – o maior deles- e o Aquífero Guarani, uma reserva internacional. “Apenas para lembrar, toda a água tratada que bebemos é filha da água bruta!”, enfatiza o relatório do Sindiágua-PB entregue aos parlamentares.

Por esse momento gravíssimo é que foi criando um grupo de trabalho para pensar peças de comunicação populares e uma série de conversas para que toda a população paraibana e os movimentos sociais organizados sejam alertados sobre a situação e engrossem a luta pela água.

“Essa luta será a grande luta de 2021, a defesa da água como um bem humano”, disse o vereador de João Pessoa, Marcos Henriques (PT). Além de Estela e Marcos, Cida ramos (PSB) e Jeová (PSB) também fazem parte do grupo de trabalho, lançado na segunda (06), com representantes da diretoria do Sindiágua, por causa da pandemia de Covid-19.

Como encaminhamento ficou agendado para o dia 21 de julho, às 19h, um seminário online, para que toda a situação das águas brasileiras seja discutida amplamente com os setores organizados da sociedade civil.

Por: Heloísa Sousa

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